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Postado em 20 de Outubro de 2017 às 16h39

Agronegócio sustenta PIB brasileiro, mas setor gera menos postos de trabalho

  • Mercoagro – Edição 2018 -

A sustentação do PIB Brasileiro nos primeiros sete meses do ano foi possível, novamente, pelo agronegócio, conforme indicam pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A safra recorde no campo estimulou a atividade também de outros segmentos, impactando no crescimento de 5,81% no PIB-volume do agronegócio na avaliação de janeiro a julho de 2017. Desse modo, o desempenho positivo da agropecuária pôde amenizar o efeito das retrações da indústria e dos serviços sobre o PIB nacional. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro recuou ligeiro 0,04% na comparação do primeiro semestre de 2016 com o mesmo período deste ano – queda que seria bastante superior não fossem os resultados da agricultura.
Apesar dos relevantes ganhos de produção no agronegócio, sobretudo na agropecuária, não houve aumento de empregos no setor. Ao contrário, no primeiro semestre de 2017, houve queda de 3,1%, ou mais de 580 mil pessoas, no total de ocupações. De modo geral, as principais reduções ocorreram na própria agropecuária e para trabalhadores atuando por conta própria e com baixa escolaridade. Ao mesmo tempo, e como um resultado desse movimento, os rendimentos médios do trabalho obtidos no agronegócio tiveram ganho real na comparação entre semestres. A queda das ocupações na agropecuária, caracterizada por menor rendimento frente aos demais segmentos, e das ocupações de trabalhadores menos instruídos frente às com maior grau de instrução, explica o aumento do rendimento médio no agronegócio.
Quanto ao front externo, verificou-se elevação de 6% no faturamento em dólares do agronegócio frente ao primeiro semestre de 2016. Porém, na mesma comparação, o Índice da Taxa de Câmbio Efetiva Real do Agronegócio se retraiu 17,8% e, em termos de volume, a maioria dos produtos apresentou redução nos embarques. Nesse cenário, o faturamento do setor em reais recuou cerca de 9%. São exceções no que diz respeito à redução de volume embarcado: soja em grão, óleo de soja, frutas, celulose, açúcar e madeira. A soja em grão foi o destaque dos embarques do semestre, com o valor em dólar de suas vendas para o exterior representando mais de 33% do faturamento do setor no período.
Na seção especial sobre custos agrícolas da soja deste boletim, foram apresentados aspectos sobre o relevante aumento dos gastos com defensivos agrícolas ao longo das últimas 10 safras nas principais regiões produtoras do País. Além do encarecimento dos inseticidas e fungicidas no período, o seu maior uso também foi responsável pelo aumento do custo, diante de pressões como o aparecimento da lagarta Helicoverpa sp, ataques de percevejos e aparecimento de ferrugem asiática, como consequência do El Niño.

Fonte: Cepea/ Esalq/USP

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