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Postado em 31 de Janeiro às 14h35

As safras e a economia

  • Mercoagro – Edição 2018 -

O sucesso das safras agrícolas e a abundante oferta de alimentos foram determinantes
para a baixa taxa de inflação que a economia brasileira registrou em 2017. Ao gerar os principais
itens da alimentação humana – grãos, leite, frutas e carnes – em volume suficiente para saciar a
população, o setor primário brasileiro criou condições macroeconômicas de controle da inflação.
Está aí um dos fatores que exaltam a enorme importância da agricultura: alimento barato
(abundante) torna a vida das famílias melhor e anima a economia; alimento caro (escasso) gera
fome e tensão social, além de desorganizar a economia. Além desse aspecto, a agricultura ainda
gera superávits de quase 100 bilhões de dólares na balança comercial, tornando superavitárias as
operações do Brasil no comercio exterior. Não fossem as exportações do agronegócio, o saldo
das exportações e importações seria deficitário para o País.
Teremos, neste ano, novamente uma boa safra agrícola 2017/2018 (mais de 220 milhões
de toneladas de grãos), levemente inferior ao do ano passado, resultado da associação de
variáveis, como o clima, o emprego de tecnologia e a disponibilidade de crédito. O setor da
proteína animal, mais uma vez, dá uma contribuição gigante. As cadeias produtivas da avicultura e
da suinocultura industrial – nas quais Santa Catarina é destaque mundial – têm intensa presença
na obtenção de divisas internacionais. Os resultados do binômio aves/suínos em 2017 foram
expressivos, apesar dos graves equívocos nas generalizações da Operação Carne Fraca, que
macularam setores produtivos junto aos mercados internacionais: 77 países aplicaram algum tipo
de sanção às carnes de aves e de suínos do Brasil e os reflexos negativos ainda hoje são sentidos
pelos exportadores brasileiros.
Ao final, entretanto, as exportações de carne de frango encerraram o ano em patamares
próximos ao alcançado em 2016, quando registramos nosso melhor desempenho histórico em
volumes. Mais de 13 milhões de toneladas foram produzidas e mais de 4 milhões exportadas. O
consumo per capita mostra a importância dessa proteína para a dieta do brasileiro: 42 kg de carne
de frango/pessoa/ano. O ovo foi outra proteína nobre em destaque, com a produção de quase 40
bilhões de unidades e um consumo per capita de 192 unidades/habitante/ano, maior índice já
registrado.
De carne suína, mesmo com embarques em níveis inferiores em relação ao ano anterior,
atingir volumes próximos de 700 mil toneladas foi uma vitória para o setor (foram produzidas 3,7
milhões de toneladas). No mercado interno, o consumo per capita ficou em 14,7 kg/pessoa/ano.
A oferta regular de insumos (com preços equilibrados do milho e soja), diferentemente de
2016, não impactou os custos da produção e melhorou a competitividade internacional. A relativa
estabilidade cambial em longos períodos de 2017 favoreceu os negócios de exportações do setor.
São fortes as esperanças de ampliação do mercado mundial. A Coreia do Sul deve iniciar as
compras neste ano. O Peru é outro mercado que, em breve, deve importar a carne suína do Brasil.
A Rússia – maior compradora das carnes suínas e bovinas do Brasil – suspendeu as importações
em dezembro, mas deve retomar em breve, estocando-se para a realização da Copa do Mundo.
Se o processo político-eleitoral não atrapalhar, 2018 promete!

Autor: José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado
de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

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