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Postado em 10 de Novembro às 17h35

BRF e Carrefour se unem à IBM para reforçar a rastreabilidade de alimentos

    A fabricante de alimentos BRF e a varejista Carrefour estão implementando, em parceria
    com a IBM, uma tecnologia usada pela moeda virtual Bitcoin para impedir fraudes na produção e
    comercialização de alimentos. As empresas adotaram o Blockchain, sistema que dá segurança às
    transações da criptomoeda, em projeto lançado no dia 8 de novembro.
    Com o uso da tecnologia Blockchain, fraudes como as detectadas pela operação Carne
    Fraca, deflagrada em março deste ano pela Polícia Federal, seriam impossíveis de serem
    realizadas. Na ocasião, a operação descobriu diversas irregularidades praticadas por frigoríficos,
    entre elas a adulteração dos prazos de validade de alimentos e o uso de insumos proibidos em
    embutidos.
    Já está disponível nas prateleiras do Carrefour o lombo congelado da Sadia que usa
    Blockchain para obter informações sobre o alimento. Na embalagem, um QR Code permite que o
    consumidor cheque a fábrica de origem daquele produto, datas de produção, embalamento e
    transporte, além da sua validade. Qualquer irregularidade na fabricação ou na distribuição poderá
    ser detectada pelo cliente.
    O projeto, em fase de testes, servirá para as companhias aperfeiçoarem os sistemas e
    confirmarem a viabilidade financeira da iniciativa. Só que, mais importante do que a informação
    que chega ao cliente, são os novos controles que podem ser feitos pelas empresas. A tecnologia
    de Blockchain, que é complexa, tem um objetivo simples: impedir fraudes.
    O Blockchain transforma informações em fragmentos digitais (os chamados blocos) que são
    distribuídos por diferentes servidores por meio da internet. Caso alguém consiga quebrar a
    criptografia de um desses servidores e altere a informação – uma data de validade, por exemplo -,
    os outros servidores que receberam as demais partes da informação acusam a adulteração.
    Assim, as empresas podem, por meio de controles automatizados, fazer diversas inspeções
    durante o processo de fabricação e registrar essas informações digitalmente. Quando o produto é
    finalizado, uma série de certificações garante a procedência e a qualidade.
    Na primeira etapa desse projeto, fará parte do controle o processo de fabricação, desde a
    chegada da matéria-prima às fábricas da BRF, até o momento em que o produto é colocado na
    prateleira do Carrefour. Um dos problemas que pode acontecer nesse processo, por exemplo, é o
    caminhão do transporte ter um problema de refrigeração e perder a temperatura de armazenagem.
    Por meio do uso da lógica de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), os sensores
    automaticamente alertam os responsáveis pelo controle, que são orientados a reter a carga. Caso
    os sensores sejam desligados, eles também são avisados. O Blockchain impede que os gestores
    ignorem o problema.
    “As tecnologias empregadas hoje não permitem que haja esse nível de transparência em
    todos os elos da cadeia. É uma transformação gradual que está acontecendo com nossos
    parceiros”, afirma Ney Santos, vice-presidente de tecnologia da BRF.
    A expectativa é que esse experimento cresça para um projeto-piloto, a ser implementado no
    próximo ano, explica Santos. Nesta segunda fase, mais elos da cadeia produtiva serão
    incorporados, principalmente aqueles relacionados à criação e ao abate dos animais. “O objetivo é
    ter, em três anos, toda a cadeia de produção da BRF integrada”, diz Santos.
    O desafio dessas empresas, agora, é convencer seus fornecedores a adotar a tecnologia.
    No caso da BRF e do Carrefour, talvez o custo dessa transformação não impacte de maneira
    expressiva suas operações. Porém, para fornecedores menores pode pesar demais o uso de
    Blockchain. “Estamos confirmando que a tecnologia é madura e confiável. Estamos aprendendo
    como as empresas podem alterar seus processos para viabilizar uma nova forma de trabalhar.

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    Mas isso requer o compromisso em nível executivo das empresas”, afirma Regina Nori, Líder de
    soluções técnicas da IBM Brasil.

    Fonte: Suinocultura Industrial / Isto É Dinheiro

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