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Postado em 13 de Novembro às 13h28

Com logística ruim, frete no Brasil custa quatro vezes mais

  • Mercoagro – Edição 2018 -

A logística é o principal entrave do agronegócio brasileiro há muitos anos, deixando o País
em desvantagem em relação a seus concorrentes no mercado internacional. O frete no Brasil, por
exemplo, custa quatro vezes mais que nos Estados Unidos e na Argentina, por exemplo. Para
especialistas em infraestrutura, a redução de tributos e novos modais de transporte são a solução
para o Brasil.
Para Luiz Antônio Fayet, consultor de infraestrutura e logística da Confederação de
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o grande gargalo está no setor portuário das novas
fronteiras agrícolas. Segundo ele, no Sul e no Sudeste há estrutura para exportação. “Mas onde
há grande expansão e futuro, porque os estoques de terra estão lá, nós temos um déficit brutal no
setor portuário. E, se eu não tiver portos para sair do Brasil, eu não consigo chegar no mercado”,
diz.
Dados da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut) mostram que
os custos no Brasil são mais altos que o de outros exportadores de produtos agrícolas. O preço do
contêiner no porto por aqui, por exemplo, é de US$ 250; na Europa, o valor é de US$ 100, e na
Ásia, US$ 75.
A CNA mostra que, entre 2009 e 2015, a produção agropecuária brasileira cresceu 67,5% e
as exportações, 19,5%. No entanto, a infraestrutura não acompanhou essa evolução. Com isso, o
frete médio para uma tonelada de grãos no Brasil é de R$ 98, enquanto o mesmo volume custaria
US$ 23 para ser transportado nos EUA e US$ 20, na Argentina.
A solução, dizem os especialistas, é diminuir a tributação e melhorar o planejamento. Para
Fayet, da CNA, os pedágios não deveriam ser tributados, por exemplo. “Para se ter uma ideia,
20% (do preço) do pedágio é tributação. Isso deveria ser eliminado”, acredita.
A questão da tributação não é unânime. Para o presidente-executivo da Associação
Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges, parte dos tributos garante a
manutenção das rodovias. “Através do pedágio você vai poder duplicar estradas, diminuir o
número de mortes, diminuir o Custo Brasil. Uma vez que o governo não tenha recurso para
investir, o setor privado está disposto a fazer isso”, afirma. 
HIDROVIAS 
Outra vantagem de nossos concorrentes estaria no uso de hidrovias, ainda pouco
exploradas no Brasil. O secretário geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais
(Abiove), Fábio Trigueirinho, lembra que o transporte por via fluvial é mais econômico e menos
poluente, retirando caminhões das estradas. “Neste ano, vamos movimentar em soja, farelo e
milho cerca de 115 milhões de toneladas. Isso quer dizer 3 milhões de caminhões bi-trem. Se eu
conseguir embarcar isso, todos seriam retirados da estrada. Todos os países procuram utilizar o
máximo da hidrovia”, diz ele.
Trigueirinho lembra que essa é grande vantagem dos EUA. Ele afirma que as áreas
produtoras americanas estão distantes 2.000 km do porto da região de Nova Orleans, por onde sai
o grosso das exportações, cerca de 80%. “Vem tudo por hidrovia, por isso o frete é tão
competitivo. Nós precisamos aprender a fazer o mesmo, porque temos vários rios e não utilizamos
de forma adequada”.
Em 2015, foi divulgada uma pesquisa apontando que o Brasil se tornaria o maior exportador
de alimentos do mundo, em uma projeção de dez anos. Com a logística comprometida, entretanto,
esse futuro parece distante. Para Luiz Fayet, da CNA, isso já poderia ter se tornado realidade de
gargalos como os da BR-163 e do sistema portuário do Arco Norte tivessem sido resolvidos. “É
dinheiro que deixa de adentrar na economia para diminuir o desemprego no Brasil e diminuir a
fome”, afirma.

Fonte: Canal Rural

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