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Postado em 30 de Janeiro às 09h59

Especialistas apostam na retomada da pecuária, mas recomendam cautela

Depois de um ano difícil, em que a pecuária foi afetada por fatores como a Operação Carne
Fraca e as delações dos executivos do JBS, o setor começou 2018 em um clima mais otimista.
“Este deve ser um ano de transição, com perspectiva de recuperação total em 2020”, afirma
Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria. “Esperamos que o mercado caminhe de acordo com a oferta e a demanda.”
Torres recomenda, além de cuidados com as contas, acompanhar o mercado com atenção,
principalmente considerando que este é um ano de eleição. “Não sabemos como o dólar vai se comportar.”
José Vicente Ferraz, diretor técnico da IEG FNP, também aposta em um cenário positivo
para a carne bovina. “Em 2018, a pecuária terá melhores momentos que no ano passado”, prevê.
Em sua opinião, embora a desconfiança do mercado continue, a oferta e a demanda de
carne devem prevalecer, em especial porque o mundo precisa da carne brasileira. “O Brasil tem um produto de boa qualidade para oferecer.”
ATENÇÃO AO RISCO
A recomendação da Scot Consultoria, para o investidor, é utilizar as ferramentas do
mercado futuro, sejam travas ou seguros.
“Ser produtivo e eficaz devem estar na mira do pecuarista, além de melhorar o giro do
estoque, aumentando a comercialização”, diz Hyberville Neto, analista de mercado da empresa.
“Assim, deve vender o gado quando o mesmo estiver pronto, girar o estoque de animais da
fazenda e travar os preços na bolsa ou em contratos a termo”, recomenda. E mais: “não deve apostar em alta para ganhar”, alerta Hyberville Neto. Alex Lopes, também da Scot, concorda com o colega: “o pecuarista tem de fugir do risco, especialmente em um ano de eleições e de Copa do Mundo de futebol”, aconselha.
De acordo com Leandro Bovo, sócio-diretor da Radar Investimentos, por mais que se tenha
uma visão otimista, há riscos que não podem ser ignorados. “Além do risco eleitoral, porque ainda está longe uma definição sobre os candidatos à presidência, há também o risco político da recuperação econômica, e isso depende da aprovação das reformas”, argumenta.
Outro risco, em sua visão, é o das indústrias, em função da operação Lava Jato e outros
desdobramentos que podem acontecer. “Diante desse quadro, o produtor deve atuar no mercado futuro, travando o preço ou fazer opção de preço mínimo”, ensina.
INDÍCIOS POSITIVOS
Por sua vez, Torres, da Scot Consultoria, espera que “o Brasil tenha aprendido com os
escândalos do ano passado e utilize a lição para se tornar um país mais correto”. Em sua opinião, a pecuária vai sair da crise, pois há indícios positivos que apontam nessa direção.
“Alguns frigoríficos, por exemplo, estão fazendo investimentos”, diz. Além de aquisições, as
empresas estão aumentando sua capacidade de abate mensal para mais de 130 mil cabeças.
“Esse volume corresponde praticamente a outro frigorífico”, compara.
Nesse sentido, Bovo lembra que a Marfrig aumentou a capacidade de abate em 50%, o
Frigol anunciou a abertura de um frigorífico em Goiás e o Minerva reativou a unidade industrial de Mato Grosso. “Frigoríficos menores também estão reativando plantas”, afirma. “O crescimento da indústria deve resultar em uma precificação um pouco melhor do que em 2017.”
REPOSIÇÃO
Segundo especialistas, o mercado de reposição deve ter maior disponibilidade de bezerros
neste ano. Isso porque a estação de monta de 2017 foi mais longa e mais fêmeas ficaram retidas em 2016. Com maior oferta, há uma tendência de depreciação para essa categoria.
Na cria, há possibilidade de bons resultados para o pecuarista que conseguir ficar acima da
média. Em um cenário de preços em recuperação da arroba, consumo incerto e menor disposição para a reposição, o abate de fêmeas deve ser maior este ano, em especial nos primeiros quatro meses de 2018, época em que ocorre o maior descarte de fêmeas que não emprenharam na estação de monta.
Na avaliação de Bovo, o produtor deve ter uma renda melhor. “Diferente do ano passado,
em que o cenário era de custo alto, entramos em uma fase de custo mais barato do bezerro e do boi magro”, observa. “Esse componente, que representa 80% do custo da pecuária, está com um preço melhor, e isso sinaliza uma margem melhor para o produtor”, arremata.

Fonte: Equipe SNA/SP- Sociedade Nacional de agricultura / Suino.com

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