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Postado em 24 de Novembro de 2017 às 13h19

Estudo apresenta estratégias para melhorar logística no Brasil

  • Mercoagro – Edição 2018 -

A logística ainda é um desafio para o agronegócio brasileiro. Traçar estratégias para
melhorar o escoamento do país e aumentar a competitividade é o que lideranças têm feito. Mas,
para isso, é preciso que seja estudado como está a situação do País, para que as escolhas
corretas sejam tomadas. A soja e o milho, principais grãos produzidos no Brasil, estão na primeira
edição do Projeto Corredores Logísticos Estratégicos, desenvolvido pelo Ministério dos
Transportes. Os resultados deste estudo foram apresentados pelo coordenador-geral de
Planejamento e Logística do Ministério, Everton Correia do Carmo, durante o Salão Internacional e
Avicultura e Suinocultura (Siavs), que aconteceu entre 29 e 31 de agosto em São Paulo, SP.
O estudo aponta a necessidade de melhorar a relação entre os modais, reduzindo o
sistema rodoviário e passando essa parcela para os modais ferroviário e hidroviário. O problema
são os custos e investimentos que precisam ser feitos nas estradas de ferro e nos rios, que na
opinião de Carmo, precisam ser públicos e privados.
A adequação da infraestrutura logística para a movimentação de grãos no Brasil é um
assunto de interesse de toda a cadeia produtiva. Por conta disso, Carmo apresenta o que os
estudos mostraram sobre os melhores investimentos em logística que podem e devem ser feitos
no País. De acordo com ele, o objetivo do projeto é obter uma visão panorâmica e diagnóstica do
momento atual das infraestruturas de transportes, voltada principalmente para a identificação e
caracterização de corredores logísticos estratégicos no âmbito do território nacional. “Este objetivo
está sendo atingido por meio da participação ativa do setor público e privado com o intuito de
subsidiar o planejamento integrado relacionado às infraestruturas viárias associadas aos principais
eixos estruturantes do Brasil”, diz.
Carmo explica que o setor agrícola brasileiro tem experimentado, nos últimos anos, um
processo de desenvolvimento com valores expressivos de produção, e as perspectivas de
crescimento são promissoras. “A soja e o milho estão entre os produtos agrícolas brasileiros que
apresentam os maiores volumes produzidos e possuem destaque na balança comercial brasileira.
Desse modo, torna-se um ponto relevante na eficiência da cadeia produtiva destes granéis avaliar
a infraestrutura dos corredores logísticos de escoamento”, argumenta.
MUITO MAIS RODOVIA
O coordenador conta que com base nos resultados, constatou-se que os corredores de
exportação do complexo soja e milho utilizam os modos rodoviário, ferroviário e hidroviário, com
maior participação do primeiro. E já nos corredores de consumo interno, o abastecimento é
realizado exclusivamente por rodovias. “Essa maior participação do modo rodoviário, em todos os
corredores, acarreta custos elevados de transportes, considerando que as rodovias não são o
modo mais apropriado para transportar grandes volumes de cargas em longas distâncias”,
comenta. Para ele, deste modo, o ponto chave para a melhoria da logística destes produtos seria
um equilíbrio da matriz de transportes de forma racional, o que proporcionaria redução de custos,
otimização da eficiência energética de cada modo, minimizaria os impactos ambientais e os
produtos passariam a ser mais competitivos no mercado externo.
NORTE E NORDESTE
Carmo conta que a agricultura brasileira evoluiu rapidamente nos últimos anos,
experimentando um aumento tanto na área de plantio como na produtividade média do País,
resultado de investimentos nas áreas de inovação e pesquisa. De acordo com ele, tais ocorrências
fizeram que as fronteiras agrícolas fossem deslocadas em direção à região Norte/Nordeste. “A
área mais recente de expansão está situada na região Centro-Nordeste, denominada Matopiba -
terras localizadas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Assim, nas últimas
décadas, a agricultura ampliou sua fronteira em direção ao norte do País e a infraestrutura de
transportes não acompanhou essa expansão, elevando os custos de escoamento destas
mercadorias”, conta.

A baixa densidade da malha ferroviária no Brasil, com exceção das regiões Sul e Sudeste,
que possuem densidade de linhas férreas superior às outras regiões, mas ainda assim deficitárias,
aliada ao pequeno aproveitamento de hidrovias, faz com que as regiões Centro-Oeste, Norte e
Nordeste sejam consideradas áreas que precisam de uma atenção maior de investimentos para
que os produtos sejam escoados com menores custos, explica. “Contudo, o governo tem ciência
que todas as regiões necessitam de investimentos e que não se pode garantir a evolução do
transporte de uma região em detrimento de outra”, completa.
FERROGRÃO E OUTRAS FERROVIAS
O coordenador ainda conta que o governo federal vem definindo prioridades, seja em
relação às obras com recursos públicos ou com obras que tenham a participação privada nos
investimentos. “Como é o caso da Ferrogrão, que facilitará o escoamento da produção de grãos
do Centro-Oeste ao estado do Pará pelo Arco Norte”, explica. Carmo diz que quando em
funcionamento, a Ferrogrão, por seu potencial estratégico, proporcionará alta capacidade de
transportes e competitividade ao corredor, que hoje possui a BR-163 como uma das principais vias
neste trajeto.
Outro exemplo citado pelo coordenador é a Ferrovia Norte-Sul, que foi projetada para se
tornar a espinha dorsal do sistema ferroviário no Brasil, ligando Estrela d’Oeste, SP, a Porto
Nacional, TO. Já a ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), também em fase implantação,
destina-se a interligar as regiões Norte e Nordeste do Brasil, atendendo a produção de grãos da
Bahia e a exploração de minério de ferro.
SOLUÇÃO
“Com relação às rodovias, existem ações governamentais de duplicação por meio de
concessões, contratos ativos de pavimentação, restauração e manutenção e nos casos das
hidrovias estão sendo desenvolvidos estudos de viabilidade, além de projetos de sinalização e
programas de dragagem estruturada para facilitar a navegação”, conta.
Carmo explica que para as necessidades identificadas no estudo para rodovias, hidrovias e
portos, a solução para tais problemas recai principalmente sobre os investimentos privados e
públicos em infraestrutura. “A melhoria da infraestrutura impactará positivamente as operações de
transporte do complexo de soja e milho, além de outras cadeias produtivas que utilizam as
mesmas rotas de escoamento”, diz. Ele acrescenta que a efetivação de investimentos, em um
esforço conjunto entre o poder público e iniciativa privada, terá importantes impactos nas atuais
condições de funcionamento dos corredores logísticos e nas condições de escoamento da soja e
do milho, que, conforme já destacado, estão entre os produtos agrícolas brasileiros que
apresentam os maiores volumes produzidos e são destaque na balança comercial brasileira.
INTERMODALIDADE
O coordenador comenta ainda que embora os corredores logísticos para grãos já façam
uso da integração modal, evidenciou-se, devido à forte participação do modal rodoviário, a
necessidade de priorizar os investimentos em ações que proporcionem uma logística eficiente com
foco no aumento da intermodalidade entre os transportes rodoviário, ferroviário e hidroviário.
“Todas essas ações têm por objetivo a utilização mais racional do sistema de transporte, que por
sua vez reduzirá custos, otimizará a eficiência energética de cada modo, minimizará os impactos
ambientais e os produtos passarão a ser mais competitivos no mercado externo. “Em síntese, a
avaliação da infraestrutura por meio de corredores logísticos permitiu analisar os primeiros eixos
de escoamento, possibilitando uma visão integrada das ações governamentais de curto e médio
prazo e fornecendo subsídios para a formulação e avaliação de políticas públicas relacionadas à
infraestrutura, na busca de soluções que gerem eficiência no transporte de cargas”, observa.
Fonte: O Presente Rural

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