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Postado em 14 de Setembro de 2016 às 17h22

Inovações do mercado mundial de carnes são destaques de Seminário

Novas técnicas e inovações do mercado internacional foram apresentadas, nesta quarta-feira (14), durante o 11º Seminário Internacional de Industrialização da Carne, o principal evento da programação paralela à Mercoagro. A iniciativa coordenada pelo Senai Chapecó, entidade vinculada à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), reuniu aproximadamente 400 participantes no auditório do Lang Palace Hotel. A programação contemplou palestras nacionais e internacionais e, ainda, sessão de pôsteres-resumos de temas da atualidade.

O presidente da ACIC Josias Mascarello realçou que o Seminário Internacional de Industrialização da Carne tornou-se um marco no calendário brasileiro de eventos técnicos do segmento. “Isso se deve, inicialmente, por acompanhar as edições bienais da Mercoagro, uma das maiores feiras do mundo em fornecimento de insumos para a indústria cárneo-alimentícia. O crescimento da feira e a correspondente evolução de seus eventos paralelos conferiram a este Seminário um legado grau de notoriedade. A atualidade de seus temas e a qualidade de seus palestrantes asseguram um conteúdo autônomo de alta grandeza”.

Mascarello também destacou o compromisso da difusão do conhecimento e o forte envolvimento emocional de todos envolvidos – palestrantes, organizadores e público presente. “Este Seminário é um momento de intensa atualização e troca de conhecimentos que torna a Mercoagro uma grande referência para a cadeia industrial da carne do Brasil e do mundo”.

Para o diretor técnico do Senai/SC, Maurício Cappra Pauletti, esta edição do Seminário é marcada pela apresentação de técnicas e inovações do mercado internacional. “A indústria catarinense conta com um grande diferencial que é a capacidade de inovações, amparada pelo relacionamento da indústria com os centros de pesquisa”, enalteceu. 

PROTEÍNA ANIMAL

“Proteína animal: cenário atual e perspectivas” foi o tema apresentado por Ariel Antônio Mendes, diretor de relações internacionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Mendes enalteceu que o Brasil é um case de sucesso no agronegócio. Para justificar a afirmativa explicou que em alguns produtos o País tem produtividade maior que a média mundial. O Brasil é o 4º maior exportador mundial, principalmente, de açúcar, café, laranja, soja, carne bovina e de frango.

Na soja, a previsão é de que o Brasil se torne o maior produtor. Os desafios do setor estão relacionados a consolidar a abertura das novas fronteiras agrícolas, aumentar a tecnificação do setor, resolver a questão logística e ampliar a capacidade de armazenamento.

O setor de carne de frango é liderado pela exportação brasileira, que para mais de 150 países. Atualmente, os maiores produtores são Brasil, Estados Unidos e China. No Brasil, a atividade gera 3,5% de milhões de empregos diretos e indiretos, com consumo de 43 kg/habitante/ano e 95% da produção é realizada pelo sistema de integração. A produção está concentrada na região sul do País com a liderança do Paraná (35,7%), seguido de Santa Catarina (23,3%) e do Rio Grande do Sul (17,6%). Porém, já há deslocamento da produção para a região centro-oeste pela proximidade com os grãos. 

Segundo Mendes, a exportação brasileira da carne de frango tem ampliado ao longo dos anos de maneira sustentável, pois em 1970 representava 7% e em 2015 expandiu em 50%, principalmente por ser uma proteína barata e fácil de produzir. “Os desafios do setor estão relacionados a manter a competitividade, ampliar as exportações e abrir novos mercados”.
Na carne de peru, no Brasil há apenas duas empresas que fazem a industrialização, com produção de 327 mil toneladas, exportação de 133 mil toneladas e consumo per capita de 1kg/habitante/ano no Brasil, mas com perspectivas de crescimento. 

A produção mundial de carne suína representa 111,9 milhões de toneladas. O Brasil produz 3,5 milhões de toneladas, sendo que os maiores produtores são Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. O setor também exporta 550 mil toneladas para aproximadamente 70 países. De acordo com Mendes, os desafios do setor são de tecnificar ainda mais a cadeia produtiva, manter e consolidar a exportação para China, readequação do mercado japonês e abertura de novos mercados, a exemplo da Coreia, União Europeia, México, Colômbia e Peru.

A produção da carne bovina representa 58 milhões de toneladas/anual. No Brasil, o rebanho é de 209 milhões de cabeças, com abate de 39 milhões/toneladas e exportação, principalmente, para Rússia, Egito e Europa. Mendes ressaltou as perspectivas do setor, como evolução do confinamento, que reflete 5 milhões de cabeça/ano. Entre os desafios estão melhorar a taxa de desfrute anual, substituir as pastagens degradas, retirar a vacina contra febre aftosa e ampliar o confinamento dos animais.

Mendes também destacou a produção brasileira de ovos de mesa, que atinge 39 bilhões de ovos/ano, com os maiores Estados produtores São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. No País, atualmente há 96 milhões de galinhas alojadas/ano. Essa produção leva o Brasil a 7ª posição no ranking dos maiores produtores mundiais. Os desafios do setor estão relacionados a ampliação da tecnificação, realocar a produção em regiões, “reinventar” o sistema produtivo, aumentar o consumo interno e abrir novos mercados, principalmente, da União Europeia.

Quanto ao material genético, o Brasil é responsável pela produção de 50 milhões de matrizes e exportou 4,5 milhões de matrizes, conforme dados de 2015. Entre os desafios estão de implementar o programa de compartimentação nas granjas de avós e matrizes, abertura de novos mercados a exemplo da América Central.

Mendes também abordou as tendências como a de ampliação de consumo de carnes e ovos, principalmente nos países em desenvolvimento; elevação no preço da carne bovina que estimulará a venda das carnes de frango e suíno. 

APLICAÇÃO DE ANTIOXIDANTES

O cientista líder da equipe de aplicação de antioxidantes naturais em produtos cárneos do Laboratório Central de Aplicação da Kalsec - Kalamazzo (USA), Dr. Poulson Joseph, abordou “Shelf-Life Enhancement of Meat Products – Exploring Basic Mechanisms, Clean Label Challenges & Opportunities”. 

Joseph enfatizou que a temperatura e a embalagem são fatores primordiais para o processamento de produtos cárneos. “Por isso, é fundamental gerenciar o antioxidante, que inibe ou atrasa a oxidação, seja do sabor ou da química”.

O cientista também explicou sobre a oxidação lipídica e de proteínas ou de pigmentos, que estão conectadas, o que comprova a necessidade de utilização de antioxidantes que inibem ação no sabor ou na cor. “Com a utilização de antioxidantes naturais é possível estender o sabor da carne fresca ou curada. Porém, é preciso analisar sua aplicação uma vez que os extratos de ervas possuem muitos sabores dos quais pode não agradar todos os paladares, por isso a necessidade de analisar a compatibilidade do produto com o processo. O desafio é criar mais proteínas para o consumo da população”, explicou.

NOVIDADES

“Inovação em filmes e embalagens para produtos cárneos” foi a temática apresentada pelo gerente de tecnologia na Poly-Chip System, Fernando Baldini. A ênfase foram os produtos Cook and Ship – tripas plásticas multicamadas com barreira. 

Exemplo do processo é o presunto, que possibilita aplicação de aproximadamente 15 tipos de aroma de fumaça líquida de diferentes tipos de intensidades de aromas e tonalidades de coloração.

Baldini destacou a aplicação e as possiblidades de automação com o objetivo de eficiência na aplicação e otimização de recursos. 

BEM-ESTAR ANIMAL

“Bem-estar dos animais de produção” foi o tema apresentado pelo sócio e consultor da empresa BEA Consultoria e Treinamento na produção animal, Victor Abreu de Lima. Em sua expressão o consultor questionou os participantes sobre: o que é bem-estar animal? É uma ciência que tem objetivos baseados na pesquisa ou é ativismo, que está baseado em princípios filosóficos? Conforme o consultor os dois argumentos estão corretos. 

“O conceito de bem-estar refere-se ao estado de organismo durante as suas tentativas de se ajustar ao seu ambiente. Este estado envolve todas as situações, da normalidade as situações de risco, que podem ser classificados de excelente a terrível. Porém, a questão fundamental é encontrar o ponto de equilíbrio entre a produção e o bem-estar animal”, enfatizou.

Conforme o consultor, entre os indicadores de bem-estar animal estão: boa alimentação, bom alojamento, boa saúde e comportamento apropriado. “Atualmente, se avalia até mesmo como o animal reage perante ao manipulador, por isso a avalição envolve comportamentos, condição fisiológica e sentimentos “senciência”, que refletem diretamente no resultado da qualidade da carne”. 

PALESTRAS

No período vespertino, a programação contemplou: “Atualização sobre nitratos e nitritos em produtos cárneos", palestra proferida pelo PhD Rubison Olivo, diretor técnico da Olivos – Ciência & Tecnologia; “Food Defense e prevenção de riscos na indústria de carnes” apresentado pelo diretor do Laboratório Aquimisa no Brasil, Marco Taborda e “Controle e identificação dos pontos chaves de contaminação de Listeria monocytogenes na cadeia produtiva de carnes” abordado pelo professor da Universidade Federal de Viçosa e pesquisador na área de Microbiologia de Alimentos de Origem Animal, Dr. Luis Augusto Nero. A programação encerrou com mesa redonda e sessão de perguntas.

MERCOAGRO 2016

A Mercoagro 2016 (Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne) é organizada pela Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) e prossegue até sexta-feira (16) no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC). O horário de visitação é das 14 às 21 horas. 

A feira conta com o apoio institucional do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), do Centro de Tecnologia de Carnes do ITAL, da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carne do Estado de Mato Grosso do Sul (Assocarnes), Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV/SIPARGS), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Comerc Energia entre outras instituições. 

  • Presidente da ACIC Josias Mascarello realçou que o Seminário tornou-se um marco no calendário brasileiro de eventos técnicos
    Presidente da ACIC Josias Mascarello realçou que o Seminário tornou-se um marco no calendário brasileiro de eventos técnicos
  • O secretário municipal de desenvolvimento econômico e turismo, Diógenes Lang, destacou a importância do evento para Chapecó
    O secretário municipal de desenvolvimento econômico e turismo, Diógenes Lang, destacou a importância do evento para Chapecó
  • O diretor técnico do Senai/SC, Maurício Cappra Pauletti
    O diretor técnico do Senai/SC, Maurício Cappra Pauletti
  • Ariel Antônio Mendes enfatizou que o Brasil é um case de sucesso no agronegócio
    Ariel Antônio Mendes enfatizou que o Brasil é um case de sucesso no agronegócio
  • Dr. Poulson Joseph abordou aplicação de antioxidantes naturais em produtos cárneos
    Dr. Poulson Joseph abordou aplicação de antioxidantes naturais em produtos cárneos
  • Gerente de tecnologia na Poly-Chip System, Fernando Baldini
    Gerente de tecnologia na Poly-Chip System, Fernando Baldini
  • Sócio e consultor da empresa BEA Consultoria e Treinamento na produção animal, Victor Abreu de Lima
    Sócio e consultor da empresa BEA Consultoria e Treinamento na produção animal, Victor Abreu de Lima
  • Evento reuniu 400 participantes
    Evento reuniu 400 participantes
  • Evento reuniu 400 participantes
    Evento reuniu 400 participantes
  • Mesa redonda com os palestrantes
    Mesa redonda com os palestrantes

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