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Postado em 11 de Abril às 11h50

Selo Halal pode impulsionar exportações

  • Mercoagro – Edição 2018 -

Tido pelos árabes como estilo de vida, o halal é uma prática transversal que vai além do campo religioso e coloca regras para vários setores.
Com base no livro sagrado do islamismo, o Alcorão, e nos ensinamentos do profeta
Mohammad, as normas que o halal estabelece na produção de alimentos passam por segurança alimentar, direito dos animais e rituais religiosos, mas englobam também procedimentos éticos em outras áreas como na comercialização de cosméticos, vestuário, medicamentos, serviços financeiros, de hotelaria e gastronomia. Na produção de carne, por exemplo, os produtos devem ser saudáveis e contribuir para um melhor funcionamento corporal e espiritual, respeitando o bem-estar dos animais que na hora do abate não devem sentir dor.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 13,59 bilhões de produtos com esse selo à
comunidade árabe, que vê no avanço da certificação a alavanca necessária para impulsionar o volume exportado de forma significativa. Os números foram apresentados no Fórum Econômico Brasil - Países Árabes, em São Paulo, no início desta semana. "Tudo o que fazemos e consumimos é halal e no caso do alimento a questão é ainda mais complicada, pois não depende só de como é feito. Os processos de venda e pesagem também têm que ser corretos", afirma Mohamed Saleh Badri, secretário-geral do Fórum Internacional de Certificação Halal.
Hoje são 29 os países autorizados a produzir usando a certificação Halal, que está sendo
padronizada em regras internacionais que indicam todos os procedimentos e padrões a serem seguidos. "Queremos um processo unificado para diminuir os custos da produção deste mercado que deve chegar a US$ 5 trilhões em poucos anos", afirma Badri.
Não se sabe ao certo quantas certificadoras halal existem no Brasil, mas produtos como
açúcar, carnes, grãos e químicos estão no topo da lista das exportações aos árabes e recebem atenção especial. De olho no aumento dessas negociações e em seu potencial, a Federação Islâmica do Brasil (FIB) Halal, entidade sem fins lucrativos, lançou sua certificadora em 2017, com capacidade para atender a cerca de mil empresas por ano.
A intenção é viabilizar a acreditação de companhias sob o selo halal por meio de treinamento, supervisão e fiscalização para garantir a sustentabilidade dos processos e o cumprimento das regras islâmicas. "Hoje 40% da carne produzida no Brasil são certificados. Mas poderia ser muito mais. Queremos garantir que 100% dos processos realmente estejam sendo cumpridos", diz Nasser Fares, idealizador e presidente da FIB Halal e um dos donos das Lojas Marabraz.
O empresário diz que vários investidores árabes têm interesse em abrir fábricas exclusivas
de alimentos halal no Brasil e só não o fazem pela falta de segurança alimentar e certificações confiáveis. "Se acordos multilaterais entre Brasil e Países Árabes se realizarem, queremos ser a certificadora oficial e vemos potencial para que as exportações nacionais para os muçulmanos se multipliquem por 20", projeta Fares, que mantém 35 profissionais diretamente envolvidos com essa atividade.
Para o conselheiro halal da Arábia Saudita, Nahar Dhaifallah Aldalbahi, os cursos e
treinamentos são imprescindíveis. Costumam ter carga de 12 a 24 horas e são ministrados em 16 diferentes modalidades. "São treinamentos bem elaborados e que garantem o cumprimento de regras rigorosas. Isso porque não podem haver falhas nos procedimentos", diz Aldalbahi Dubai, em 2013, foi considerada a capital da economia islâmica e praticamente todos os setores de sua economia seguem as regras halal. "É a cidade que tem a maior gama de produtos e serviços. Até mesmo no sistema financeiro, em produtos orgânicos e nas inovações tecnológicas. Esta é uma tendência e vejo vários governos dando ênfase à busca por essas conformidades", diz Abdur Rahim Ghulam Nabi, conselheiro-sênior da Zona Franca da União dos Emirados Árabes. A cidade concentra 47 zonas francas (com tarifas alfandegárias diferenciadas), que juntas somam 1,7 mil empresas, e são pilares de seu centro de desenvolvimento econômico.
Estima-se que o mercado de alimentos halal represente 16% de toda a indústria mundial de alimentos e deva aumentar para 20% em futuro próximo, com Ásia, África e Europa representando 63%, 24% e 10%, respectivamente. As maiores nações muçulmanas estão localizadas no sul e sudeste da Ásia. Na Europa, o mercado halal conta com cerca de 40 milhões de muçulmanos. Nos EUA, há aproximadamente 9 milhões e no Canadá, 800 mil. E no Brasil, cerca de 1,5 milhão de muçulmanos.

Fonte: Avisite / Portal do Agronegócio

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