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O que preciso saber para ajustar a taxa de lotação?

07/Fevereiro/2024
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Com a chegada das chuvas e o crescimento dos pastos, uma pergunta que surge com frequência é: “quantos animais posso colocar na área que tenho disponível?”

Apesar de parecer uma pergunta simples, respondê-la exige conhecimento e uma série de informações sobre a fazenda. Caso esta também seja sua dúvida, para te ajudar a chegar a uma resposta, segue alguns tópicos relacionados à taxa de lotação e capacidade suporte, para que você mesmo possa eliminar essa dúvida.

Taxa de lotação: decisão crucial

A primeira coisa que precisamos entender é que determinar a taxa de lotação é uma das decisões cruciais para o sucesso de uma operação. Isto, porque ter uma lotação desajustada pode levar a cenários de super, ou subpastejo, comprometendo o GMD dos animais e/ou produção por área, certo?

No final do dia, não é o número de animais por hectare que conta, mas sim a quantidade de peso que foi produzida por hectare. Isto significa que não adianta você querer colocar uma lotação muito alta na área, se os animais não desempenharem.

Nesse sentido, ter uma taxa de lotação ajustada refere-se ao número de animais que uma determinada área pode sustentar ao longo do tempo, sem comprometer a perenidade do sistema, proporcionando o desempenho dos animais. Essa medida está intrinsecamente ligada à qualidade da pastagem (composição e estrutura), ao clima e solo da região (capacidade produtiva) e à eficiência do manejo adotado (colheita forragem).

1) Capacidade de Suporte da Pastagem

A capacidade de suporte da pastagem é o ponto de partida para determinar a taxa de lotação. Ela representa a quantidade máxima de animais que a área pode suportar, sem comprometer a saúde e a produtividade da pastagem. Aspectos como tipo de solo (argiloso, arenoso), espécie forrageira e cobertura vegetal (densidade de plantas), somados ao regime de chuvas, influenciam diretamente nessa capacidade.

Perceba, aqui, a importância de escolher uma espécie forrageira condizente com a realidade da fazenda. Não adianta optar por uma super forrageira, com mega potencial de crescimento, se as condições da fazenda não suportam as demandas da planta. Lembre-se que, quanto mais produtiva uma forragem, maiores suas exigências.

2) Manejo Adequado

O manejo eficiente da pastagem é crucial para otimizar a taxa de lotação, uma vez que a eficiência de colheita do pasto é que dita o aproveitamento da forragem que foi produzida. Uma mesma área, pode ter lotação diferente em função da eficiência de colheita.

Para ilustrar em números, um animal de 300 kg, ao consumir 2% do peso vivo de MS, ingere 6 kg de MS de forragem. Se considerarmos uma eficiência de pastejo de 50%, precisamos ofertar 12 kg de MS de forragem para ter o consumo de 6kg, enquanto, se a eficiência for de 70%, a quantidade ofertada cai para 8,5kg.

Note a importância do manejo e da eficiência de pastejo na taxa de lotação.

Lembre-se que a eficiência de pastejo está diretamente relacionada à estrutura do pasto e, práticas como manejo rotacionado ou alternado, favorecem o controle desta estrutura do pasto, aumentando a eficiência de colheita e, consequentemente, a taxa de lotação.

3) Oscilações climáticas

A disponibilidade de forragem varia ao longo do ano, impactando diretamente na taxa de lotação. É importante considerar a sazonalidade da produção de pasto e ajustar o número de animais de acordo com essas flutuações. Ferramentas como a adubação estratégica e suplementação podem ser úteis.

4) Monitoramento Constante

Na prática, uma vez definida a lotação inicial, é preciso realizar o monitoramento constante da condição da pastagem (pode ser por medida direta, ou uso de escala de notas) e do peso dos animais. Esse acompanhamento é vital para evitar superlotação e consequentes danos ao ecossistema.

Guia Prático

Atenção às Peculiaridades Locais

Cada região do Brasil apresenta características específicas (por vezes, fazendas vizinhas). Considerar as peculiaridades climáticas, geográficas e de solo de cada fazenda e/ou área dela é crucial para determinar uma taxa de lotação que seja ideal para a realidade da propriedade.

Ajustando a taxa de lotação

1) Avaliação da Capacidade de Suporte

Inicie avaliando a capacidade de suporte da pastagem. Realize análises do tipo de solo, cobertura vegetal e histórico de produção de forragem. Considere fatores como pluviosidade, temperatura e altitude, uma vez que essas variáveis influenciam diretamente a produção forrageira e, por consequência, a capacidade de suporte.

Faça um levantamento das principais espécies vegetais na área. Algumas plantas têm maior valor nutricional e capacidade produtiva, enquanto outras podem estar em degradação da pastagem com sua produção comprometida. Considere o tipo de solo da área.

2) Monitoramento do Estado Atual da Pastagem

Faça um levantamento do estado atual da pastagem. Observe a densidade da cobertura vegetal, a presença de invasoras e a qualidade nutricional das plantas. Isso fornecerá insights sobre a saúde da pastagem e a necessidade de intervenções.

Use medições e/ou escala de notas para fazer o monitoramento da área. Não se esqueça de mensurar (e desconsiderar) áreas de malhadouros e reboleiras.

3) Identificação de Áreas Degradadas

Identifique áreas degradadas na propriedade. Locais com erosão, compactação do solo, ou baixa produção de forragem, indicam a necessidade de ações corretivas, como a implementação de práticas de conservação do solo.

4) Implementação de Práticas de Manejo

Adote práticas de manejo eficientes, como a rotação de pastagens. Divida a área em piquetes menores e faça a movimentação regular do gado. Isso permite o descanso de áreas utilizadas e estimula o rebrote da vegetação.

5) Monitoramento do Ganho de Peso dos Animais

Acompanhe o ganho de peso dos animais. Isso é um indicativo importante da eficiência da taxa de lotação. Se o ganho de peso estiver abaixo do esperado, pode ser necessário ajustar a quantidade de animais na área.

6) Treinamento e Capacitação

Capacite a equipe de manejo. Treine os colaboradores para que compreendam a importância da taxa de lotação e saibam realizar monitoramentos regulares da pastagem.

Anule o óbvio e tenha um responsável pela atividade. Estabeleça um cronograma de avaliação e tenha sempre a gestão do que foi previsto e o que está sendo realizado.

Realize revisões regulares do manejo, considerando feedbacks da equipe e observações no campo. Exemplo: reuniões mensais para avaliar o desempenho da pastagem e do rebanho.

7) Avaliação Contínua

Implemente um sistema de avaliação contínua. Realize avaliações periódicas da pastagem e do desempenho dos animais. Isso permitirá ajustes constantes e aprimoramento contínuo do manejo.

Conclusão

Implementar práticas de manejo eficientes é crucial para o sucesso e a sustentabilidade da pecuária de corte. Lembre-se que, determinar a taxa de lotação ideal é um processo complexo, que requer avaliação cuidadosa de diversos fatores.

A busca por práticas sustentáveis, aliada ao uso de tecnologias e ao conhecimento profundo das condições locais, é fundamental para o sucesso, a longo prazo, na pecuária de corte no Brasil.

Fonte: Agroceres Multimix

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